Há um armário de casa de banho assim em quase todas as casas. Sete frascos, cinco pela metade, dois que já nem se sabe para que servem.
E, ainda assim, a sensação de que falta qualquer coisa, porque o cabelo continua igual.
Numa loja do cabelo, o que resolve a maior parte dos casos são três coisas: uma lavagem adequada, uma máscara escolhida pelo problema real do cabelo, e um finalizador. O resto só faz sentido depois de essas três estarem acertadas, e muita gente compra pela ordem contrária.
Antes de comprar: qual é o problema, mesmo?
É a parte que quase toda a gente salta. Chega-se à loja com a ideia de que o cabelo está "feio" e sai-se com um produto que trata outra coisa qualquer.
Vale a pena parar um minuto à frente do espelho. Cabelo que parte ao pentear não é o mesmo problema que cabelo baço. Fio que cai em quantidade na escova é um assunto do couro cabeludo, não do comprimento. Cabelo fino sem corpo pede volume, e volume não se compra num creme pesado, por muito bom que ele seja.
Dividir por zonas também ajuda. A raiz pode estar oleosa enquanto as pontas estão secas, e isso é normalíssimo em cabelo comprido. Nesse caso são dois produtos a fazer dois trabalhos diferentes, não um produto mágico a fazer os dois.
É a pergunta que mais ouvimos ao balcão: "o que me recomenda?". A resposta honesta começa sempre com outra pergunta. O que incomoda mais? Enquanto isso não estiver claro, qualquer recomendação é um tiro às cegas.
A compra que se faz primeiro: lavagem e máscara
Nenhum finalizador salva um cabelo mal lavado. É a base, e é a parte mais chata de explicar porque não dá resultado imediato.
A seguir vem a máscara, e aqui há uma distinção que muda tudo. Hidratar é repor água no fio: faz-se quando o cabelo está áspero, sem maleabilidade, com frizz a toda a hora. Nutrir é repor óleo, e serve a cabelos secos, porosos, de química. Reconstruir é devolver proteína, e só se faz quando o fio está mesmo fragilizado, a partir com facilidade. Quem reconstrói sem precisar acaba com um cabelo duro e quebradiço. O contrário do que queria.
Na prática, a máscara é onde vale mais a pena investir. Rende meses, usa-se uma vez por semana, e nota-se. A Morte Súbita da Lola, por exemplo, traz 450g, deixa atuar dez minutos e trabalha hidratação e nutrição ao mesmo tempo, o que a torna uma escolha simples para cabelo seco ou com frizz.
Dez minutos chegam. Dormir com ela na cabeça não multiplica resultado nenhum.
Queda: o produto que se compra para o couro cabeludo
Queda é outro departamento. Não se trata com máscara, porque essa fica no comprimento e o assunto está na raiz.
O produto típico aqui é o tónico, que se aplica no couro cabeludo limpo depois do shampoo, com massagem de dois a três minutos, sem enxaguar. A massagem não é detalhe decorativo: estimula a circulação local e ajuda os ativos a entrar. O Rapunzel da Lola leva jaborandi, alecrim, urtiga, guaraná e arnica, e tem mentol, pelo que a sensação de frescura forte logo a seguir à aplicação é esperada.
A frequência ajusta-se ao caso. Para manutenção, duas vezes por semana. Para queda moderada, três. Para queda mais acentuada, diariamente. Aqui vai o aviso que fazemos sempre: isto é cosmética de cuidado do couro cabeludo. Se a queda é intensa ou persistente, quem resolve é um dermatologista, não uma prateleira.
Pede regularidade de meses. Comprar um frasco, usar duas semanas e desistir é dinheiro deitado fora.
Finalizadores: o que faz diferença à vista
É a categoria mais divertida e a mais fácil de comprar a mais. Cremes de pentear, ceras, séruns, espumas, géis, cada um com promessa diferente na frente do frasco.
Para cabelo com caracóis, o creme de pentear é quase obrigatório. Aplica-se no cabelo húmido (a sério: húmido, não a pingar), define sem colar, e é ele que decide se o cacho fica desenhado ou armado. O da Gota Dourada é dos mais acessíveis que temos, 320ml sem sulfatos nem silicones, e dá para usar com frequência sem peso acumulado.
Para cabelo curto, liso ou com corte trabalhado, o terreno é outro: cera. Serve para texturizar, separar pontas, dar forma a um penteado que de outra maneira assenta sozinho. As Modus de 150ml custam menos de quatro euros, um bom sítio para começar se nunca se usou cera e não se sabe se vai dar.
Um aparte útil: o finalizador aplica-se sempre em pouca quantidade e acrescenta-se se faltar. O caminho contrário não existe. Produto a mais no cabelo só sai com outra lavagem.
O que fica a secar na prateleira
Há compras que se repetem e raramente compensam.
A primeira é o produto comprado por causa do cheiro. Fica bonito na casa de banho e não trata nada do que precisava de ser tratado.
A segunda é o excesso de categorias ao mesmo tempo. Começar com seis produtos novos na mesma semana torna impossível perceber qual está a funcionar e qual está a atrapalhar. Não há número certo, mas um de cada vez, com duas ou três semanas pelo meio, costuma resultar, e a conta fica mais barata também.
A terceira é comprar volume onde falta hidratação, ou hidratação onde falta volume. Cabelo fino afunda com qualquer máscara muito rica. Precisa de uma pensada para ele, como a Encorpa da Haskell, que trabalha corpo em vez de peso.
E depois há o tamanho. Frasco grande sai mais barato ao mililitro, sim, mas só se for mesmo usado até ao fim. Na primeira compra de uma marca nova, o formato pequeno é mais sensato.
Produtos recomendados
Lola Rapunzel Tónico do Crescimento Anti-Queda 250ml. Para quem vê fio a mais na escova: aplica-se no couro cabeludo com massagem e não se enxagua.
Lola Morte Súbita Máscara Super Hidratante 450g. A máscara da casa para cabelo seco e com frizz, com 450g que rendem meses a uma vez por semana.
Gota Dourada Cabelos Cacheados Creme de Pentear 320ml. Finalizador de caracóis sem sulfatos nem silicones, a um preço que permite usar sem poupar.
Haskell Encorpa Máscara Volume Cabelo Fino 300g. Pensada para cabelo fino e sem volume, que costuma ficar achatado com máscaras mais ricas.
Modus Professional Cera de Cabelo Quick Silver 150ml. Cera de 150ml por menos de quatro euros, boa para experimentar texturização em cabelo curto.
Modus Professional Cera De Cabelo Aqua Blue 150ml. A alternativa da mesma linha, para quem prefere outro acabamento no penteado do dia a dia.
Coleções relacionadas
Perguntas frequentes
Compensa comprar o pack completo da mesma linha?
Nem sempre. Compensa quando o problema é claro e persistente, como queda, porque os produtos da linha foram pensados para trabalhar juntos. Para quem só quer melhorar o aspeto geral, começar por um produto e ver o resultado sai mais barato e ensina mais sobre o cabelo.
Pode usar-se o tónico anti-queda todos os dias?
Sim. A frequência vai de duas vezes por semana, em manutenção, até uso diário em casos de queda mais acentuada. Aplica-se sempre no couro cabeludo limpo, como último passo da rotina, e não se enxagua.
O formigueiro no couro cabeludo depois do tónico é normal?
Sim, quando o produto tem mentol a sensação de frescura intensa é esperada. Vermelhidão forte ou comichão persistente já é outra coisa: nesse caso reduz-se a frequência e convém consultar um dermatologista.
Produto sem silicones é sempre melhor?
Não. Silicones dão brilho e deslize imediatos e não fazem mal a ninguém. Interessam sobretudo a quem segue rotinas de low-poo ou tem cachos e quer evitar acumulação, e aí a etiqueta "sem silicones" faz toda a diferença.
Quanto tempo dura uma máscara de 450g?
Com uso semanal, vários meses. Depende do comprimento e da quantidade por aplicação, mas um frasco grande costuma acompanhar um cabelo médio durante bastante tempo, o que o torna a compra mais rentável da rotina.
Podem misturar-se produtos de marcas diferentes?
Sim, sem problema. O que não funciona é mudar tudo ao mesmo tempo, porque depois não se percebe o que resultou. Troca-se um produto de cada vez e dá-se duas ou três semanas antes de julgar.
Escolhe o incómodo número um e trata só desse nas próximas semanas. Se for queda, o tónico aplicado com massagem e regularidade. Se for secura ou frizz, uma máscara semanal. Se for cabelo que não assenta, um finalizador adequado ao tipo de fio. Um produto, tempo suficiente para dar sinais, e só depois se acrescenta o seguinte.

