Saiu do cabeleireiro com um castanho bonito, com reflexo, daqueles que se vê à luz da rua. Três semanas depois está ali um tom baço, meio puxado ao alaranjado, sem nada daquele brilho.
E a dúvida que vem a seguir é sempre a mesma: a cabeleireira fez mal, ou a tinta era fraca?
É uma cor sem amoníaco, ou com muito pouco, que não clareia. Deposita pigmento por cima do tom que já existe, escurece, dá reflexo, e vai desaparecendo aos poucos nas lavagens, em vez de deixar aquela risca de raiz marcada.
O que é, afinal, uma coloração tom sobre tom
A diferença está no que a cor faz ao pigmento que o cabelo já tem. Uma coloração permanente abre a cutícula, retira pigmento natural e põe o novo no lugar. Esta não retira nada. Entra, deposita cor em cima do que lá está, e fica.
Daí o nome. Trabalha sobre o tom existente, nunca contra ele. Serve para escurecer, para dar reflexo (acobreado, chocolate, cinza), para tapar brancos dispersos e para igualar comprimentos que ficaram com cor desigual. O que não faz é clarear. Nem meio tom.
Se o objetivo é passar de castanho a louro, isto não chega lá. Essa conversa é outra, envolve descoloração, e vale a pena ouvi-la em pessoa com quem vai fazer o trabalho.
Quanto tempo dura antes de sair
A cor sai a cada lavagem, um bocadinho de cada vez. Em vez daquela linha dura na raiz, o que acontece é um desvanecer lento, que no espelho se lê como cabelo mais baço do que mais claro.
Quanto tempo aguenta depende de três coisas, e uma delas não se muda: a porosidade do fio. Cabelo que já levou descoloração, prancha ou outras pinturas tem a cutícula mais aberta e larga o pigmento mais depressa. As outras duas estão nas mãos de quem lava: frequência e temperatura da água.
Quem lava todos os dias com água bem quente vê a cor ir-se visivelmente mais cedo do que quem lava dia sim dia não com água morna. Não há número certo para dar aqui, e desconfia de quem der. O que se pode dizer com honestidade é que a cor não cai de um dia para o outro. Vai-se esvaziando, e o primeiro sinal costuma ser a perda de brilho, não a mudança de tom.
Porque é que o tom puxa a amarelo ou a laranja
Quando o pigmento de reflexo começa a sair, o que fica à vista é o fundo do cabelo. E o fundo é quase sempre quente: alaranjado nos castanhos, amarelado nos louros e nos cabelos que levaram descoloração.
Um cinza bonito transforma-se num louro amarelado ao fim de algumas semanas, sem que ninguém tenha feito nada de errado. O pigmento frio é o primeiro a abandonar o barco, e o quente que estava por baixo aparece sozinho.
Este é o momento de matizar, não de voltar a pintar. Uma máscara matizante deposita pigmento violeta ou azulado no comprimento e neutraliza esse calor, o que devolve a leitura certa da cor. Faz-se em casa, no duche, em dez minutos. A Pro-Cor E Tom da Real Natura é a que temos para isso, numa embalagem de 500ml e sem sal, o que ajuda a cor a durar mais entre matizações.
Como cuidar da cor em casa para a esticar mais
Água morna, nunca a ferver. É a mudança mais barata e a que mais se nota, porque água muito quente levanta a cutícula e a cor sai com ela pelo ralo abaixo.
Depois, espaçar as lavagens. Passar de diária para dia sim, dia não já é meio caminho andado. E escolher produtos sem sal, porque o sal é um dos grandes responsáveis pelo desbotar rápido de qualquer coloração.
A máscara matizante usa-se depois de lavar: aplica no comprimento, deixa atuar entre 5 e 10 minutos conforme a necessidade de neutralização, enxagua bem. Nos cabelos muito porosos convém começar pelos 5 minutos e ver o resultado antes de arriscar os 10 (cabelo poroso agarra pigmento mais depressa do que se espera). Esta máscara também cobre brilho e proteção térmica, o que dá jeito a quem ainda usa secador ou prancha no meio disto tudo.
Um aviso honesto: nenhuma rotina em casa faz a cor durar o dobro. O que faz é evitar que ela se vá embora antes do tempo.
Para quem compensa, e para quem não
Compensa para quem quer mudar de tom sem compromisso. A cor sai sozinha, não deixa risca, e se o resultado não agradar, daqui a um mês já quase não se nota. Compensa também para cabelo fragilizado, que não aguenta mais uma permanente, e para quem só quer reflexo e brilho num tom natural.
Compensa ainda para quem tem brancos espalhados, poucos, daqueles que aparecem na risca. Com muito branco a cobertura fica mais translúcida e nem sempre é o que se espera.
Não compensa para quem quer clarear, nem para quem procura branco coberto a 100% e cor firme durante meses sem mexer. Nesses casos a permanente é a resposta, com tudo o que isso traz de retoque de raiz de seis em seis semanas.
Produtos recomendados
Real Natura Pro-Cor E Tom Matizante Máscara Sem Sal 500ml. É a máscara para usar quando o tom começa a puxar ao amarelado: matiza, dá brilho e é sem sal, indicada para cabelo com coloração e descolorado.
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Perguntas frequentes
A coloração tom sobre tom clareia o cabelo?
Não. Deposita pigmento sobre o tom existente e só consegue manter ou escurecer. Para subir de tom é preciso descoloração, que é um processo diferente e mais agressivo.
Posso usar a máscara matizante todas as lavagens?
Não é preciso, e em cabelo claro pode acumular pigmento a mais. Usa-se quando o tom começa a aquecer, e nos cabelos muito porosos vale a pena ficar pelos 5 minutos de pausa nas primeiras vezes.
A máscara matizante tinge as mãos ou a banheira?
Pode deixar marca se ficar tempo em superfícies claras, como qualquer produto com pigmento. Enxagua a banheira logo a seguir e, se a pele das mãos for sensível a manchar, usa luvas.
Dá para fazer tom sobre tom em casa sobre cabelo descolorado?
Dá, mas com cuidado redobrado: cabelo descolorado é poroso e agarra pigmento de forma desigual, o que costuma dar tons mais escuros nas pontas. Se a descoloração foi recente, uma opinião presencial poupa um susto.
Esta máscara é vegan?
Sim, é vegan e cruelty-free. Vem em embalagem de 500ml, o que dá para bastantes aplicações mesmo em cabelo comprido.
O produto é enviado de Portugal?
Sim. Todas as encomendas saem de Portugal, normalmente em até 24 horas úteis após a confirmação do pagamento, sem taxas alfandegárias à mistura.
Antes de marcar retoque, olha para o cabelo à luz natural e decide o que falta mesmo: tom ou brilho. Se é tom, é cadeira de cabeleireiro. Se é só aquele calor amarelado a aparecer, uma matização em casa resolve e fica para a próxima a tinta.